Primeiros Passos

Como Arremessar com Molinete: Por Cima, de Lado e o Pitch

Aprenda a arremessar com molinete com precisão. Empunhadura, posição do dedo, o arremesso por cima passo a passo, de lado e o pitch para abrigo fechado, além de soluções para nós de vento.

Um pescador no meio de um arremesso com molinete na margem de um lago, com a alça aberta e a linha saindo do carretel em direção à água

Photo: PattayaPatrol / CC BY-SA 4.0 via Wikimedia Commons

O molinete é a ferramenta de arremesso mais fácil da pesca, e é exatamente por isso que quase todo mundo começa por ele. A linha sai de um carretel fixo, então não há carretel para disparar nem ninho de passarinho esperando para punir uma solta ruim. Mas fácil de usar não é o mesmo que fácil de usar bem. Muitos pescadores que têm um molinete há anos ainda batem na água, brigam com o vento e se perguntam por que a pessoa ao lado coloca uma isca sob um trapiche que eles não conseguem alcançar.

A diferença quase nunca é força. É tempo, posição do dedo e carregamento da vara. Depois que você entende o que a vara está de fato fazendo durante um arremesso, distância e precisão chegam juntas, e arremessar deixa de ser algo em que você pensa.

Este guia cobre a empunhadura, os três arremessos que dão conta de quase toda situação na água, os erros que custam peixes e uma rotina de prática que você pode fazer num gramado em vinte minutos.

Empunhadura e Posição do Dedo

Tudo começa em como você segura a vara, e a maioria dos iniciantes segura errado de um jeito que discretamente limita seu arremesso para sempre.

Encaixe a haste do molinete entre os dedos: dois dedos à frente da haste, dois atrás, com o molinete pendurado abaixo da vara. Seu polegar segue por cima do cabo da vara, apontando para o seu alvo. Essa empunhadura alinha o eixo da vara com o antebraço, e é o que permite arremessar com um movimento de pulso em vez de um impulso do ombro.

Agora a parte importante. Estenda o dedo indicador e pegue a linha onde ela sai do carretel, puxando-a de volta contra a face de baixo do corpo da vara ou do corpo do molinete. A linha repousa na polpa do dedo, não enganchada na dobra da articulação. Você quer conseguir esticar esse dedo e soltar a linha de forma instantânea e limpa.

Antes de abrir a alça, recolha a isca até ela ficar pendurada de quinze a trinta centímetros abaixo da ponta da vara. Essa distância pendurada é o seu carregamento. Curta demais e a vara nunca flexiona; longa demais e a isca balança de forma imprevisível.

Agora abra a alça com a outra mão. A isca está segura apenas pelo seu dedo indicador. Você está pronto para arremessar.

O Arremesso por Cima

Este é o seu padrão. Dá a maior distância, o maior controle, e funciona de uma margem, de um barco ou de um píer desde que você tenha espaço atrás.

  1. Encare seu alvo com os pés a mais ou menos a largura dos ombros, a mão da vara à frente. Aponte a ponta da vara para o ponto que quer acertar.
  2. Carregue a vara. Leve a vara suavemente para trás por cima do ombro de arremesso até a ponta chegar mais ou menos à posição de 1 hora, ou logo passado a vertical. Não pare seco — deixe o peso da isca continuar flexionando a ponta para trás por uma fração de segundo. Essa flexão é energia armazenada.
  3. Varra para a frente. Empurre a vara para a frente com o antebraço e o pulso, acelerando em vez de dar um puxão. Pense em empurrar a ponta da vara em direção ao alvo, não em cortar para baixo em direção à água.
  4. Solte. Quando a vara chegar a mais ou menos 11 horas — ainda bem acima da horizontal — estique o dedo indicador e solte a linha.
  5. Acompanhe e toque de leve. Baixe a ponta da vara para acompanhar a isca. À medida que a isca se aproxima do alvo, toque de leve a borda do carretel com o dedo indicador. Isso se chama frear com o dedo, e mata o excesso de linha para que a isca pouse com suavidade e exatamente onde você mirou.
  6. Feche a alça com a mão. Vire-a com a mão livre em vez de girar a manivela.

A correção mais comum de todas: solte mais cedo do que parece certo. Uma solta tardia manda a isca para baixo, para dentro da água, seis metros à sua frente. Se seus arremessos estão pousando curtos e batendo forte, suba o ponto de solta.

O Arremesso de Lado

O de lado é o arremesso para tetos baixos: salgueiros pendentes, a face inferior de pontes, trapiches com telhado baixo, ou qualquer lugar onde um arremesso vertical por trás enroscaria numa árvore.

O movimento é o mesmo do por cima, girado noventa graus. Mantenha a vara mais ou menos paralela à água, varra-a para trás pela lateral e traga-a por um arco horizontal plano. O ponto de solta é quando a vara passa à frente do seu corpo e aponta para o alvo.

O de lado dá uma trajetória plana e baixa que passa por baixo de obstruções e corta o vento melhor do que um arremesso por cima alto e curvado. O custo é que seu anzol viaja na altura da cabeça num plano horizontal, então exige real consciência de quem e do que está ao seu lado. Num barco com um parceiro, arremessos de lado são avisados antes de serem lançados.

O Pitch por Baixo

O pitch é o arremesso de precisão de curta distância. Ele coloca uma isca sob um trapiche, dentro de uma brecha na vegetação ou contra um tronco caído a três a dez metros, e faz isso em silêncio.

  1. Solte linha o bastante para a isca ficar pendurada na altura do molinete e segure a isca de leve na mão livre.
  2. Aponte a ponta da vara baixa, na altura ou logo abaixo do alvo.
  3. Baixe um pouco a ponta da vara para carregar, depois erga-a num movimento suave para cima enquanto solta a isca da mão.
  4. Solte a linha do dedo indicador conforme a isca balança para a frente e para fora.
  5. Freie o carretel com força quando a isca chegar ao alvo, para que ela entre na água quase sem respingo.

A isca viaja por um caminho baixo e plano logo acima da superfície, o que é o que permite deslizar para lugares que um arremesso arqueado jamais alcançaria. Não pegue uma isca de garatéia para dar o pitch — segure a linha logo acima dela. O pitch é mais natural com uma isca de anzol único, como um jig ou um plástico montado no sistema Texas.

Erros Comuns e Como Corrigi-los

A isca bate forte na água e cai curta. Você está soltando tarde demais e arremessando para baixo. Suba o ponto de solta e termine com a ponta da vara alta, depois baixe-a.

Nenhuma distância mesmo com um golpe forte. Você não está carregando a vara. Músculo não arremessa — o corpo que flexiona é que arremessa. Desacelere o movimento todo, deixe a ponta dobrar para trás antes de vir à frente e verifique se sua isca é pesada o bastante para a classificação da vara. Uma isca de 7 gramas numa vara pesada nunca vai arremessar bem.

Nós de vento. Estes não são realmente causados pelo vento. Eles se formam quando linha frouxa sai do carretel em laçadas e se prende em si mesma, normalmente porque você fechou a alça com a manivela, porque começou a recolher antes de a isca pousar, ou porque o carretel está cheio demais. Encha o carretel até cerca de 3 milímetros abaixo da borda, feche a alça com a mão e mantenha uma leve tensão na linha ao recolher. Se a linha estiver torcendo muito, solte uns quinze metros atrás de um barco em movimento ou na correnteza sem isca amarrada e deixe destorcer.

Linha saltando do carretel em espirais. O carretel está cheio demais, ou a linha tem memória demais. Monofilamento que ficou anos num carretel desenvolve espirais permanentes. Linha nova resolve.

A precisão é boa em curta distância, péssima em longa. Normal. A distância amplifica pequenos erros no tempo da solta. Trabalhe acertar um alvo a seis metros antes de perseguir os dezoito.

Prática na Grama

Vinte minutos num gramado vão fazer mais pelo seu arremesso do que uma temporada inteira de pesca, porque você recebe retorno a cada arremesso sem vegetação, enrosco ou peixe te distraindo.

Corte os anzóis de uma isca velha ou amarre uma isca de treino de borracha — nunca pratique com anzóis. Coloque três alvos a distâncias diferentes: um balde a cinco metros, um bambolê a dez, uma toalha a quinze. Faça dez arremessos em cada um com o arremesso por cima, depois dez de lado, e por fim trabalhe o pitch no balde mais próximo.

Pontue-se com honestidade. A meta não é alcançar o alvo mais distante, é pousar dentro do mais próximo de forma repetida. A precisão vale muito mais que a distância na pesca real, porque os peixes ficam ao lado do abrigo, e o abrigo é o que você precisa acertar.

Se você ainda está montando seu kit, garanta que a vara e a linha estejam casadas com o que você vai jogar — veja como escolher uma vara de pesca e como montar uma vara de pesca antes de passar uma tarde brigando com o equipamento em vez de aprender técnica.

Perguntas frequentes

Por que minha linha vive emaranhando no molinete?

Quase sempre é folga, não vento. Os molinetes depositam a linha num carretel fixo em espirais, e qualquer linha frouxa que sai numa laçada solta vai agarrar uma espiral vizinha e dar nó. As três soluções que resolvem a maioria dos casos: encha o carretel no máximo até 3 milímetros abaixo da borda, feche a alça com a mão em vez da manivela, e mantenha uma leve tensão na linha o tempo todo em que recolhe. Monofilamento velho com muita memória piora tudo isso, então, se a linha parece uma mola quando você a retira, troque.

Que distância eu deveria conseguir arremessar com um molinete?

Com um conjunto médio típico de 1,8 a 2,1 metros e uma isca de 7 a 10 gramas, vinte a trinta metros é um arremesso normal de trabalho, e pescadores experientes vão mais longe com linha mais fina e varas mais longas. Mas distância é a coisa errada para perseguir no começo. A maioria dos peixes de água doce é fisgada a menos de doze metros do pescador, colada ao abrigo, então um arremesso que você consegue colocar dentro de um círculo de sessenta centímetros a dez metros pega muito mais do que um lançamento selvagem de trinta metros. Construa a precisão primeiro e a distância vem sozinha à medida que seu carregamento da vara melhora.

Preciso de uma isca mais pesada para arremessar mais longe?

Até certo ponto, sim — uma vara só carrega se houver peso suficiente para flexioná-la, então uma isca no limite leve da classificação da vara sempre vai arremessar mal. Verifique a classificação impressa logo acima do cabo e fique no meio dessa faixa. Além disso, ir mais pesado deixa de ajudar e passa a custar: uma isca acima do peso sobrecarrega o corpo, mata a precisão e arrisca quebrar a ponta. Case a isca à vara em vez de aumentar o peso para compensar a técnica.

Considerações Finais

Arremessar bem com um molinete se resume a uma lista curta: empunhadura de encaixe com a linha na polpa do indicador, alça aberta só depois de a linha estar presa, um movimento de carregamento suave, uma solta cedo e um pouso freado com o dedo. Nada nessa lista exige força ou equipamento caro.

Passe uma sessão num gramado com uma isca sem anzóis e três alvos. Você vai sentir a vara começar a fazer o trabalho em vez do seu braço, e esse é o momento em que arremessar deixa de ser uma tarefa e vira a parte da pesca que você mal percebe. Daí, vá para a água e comece a colocar iscas onde os peixes realmente vivem — pesca de barranco é um bom lugar para testar se a sua nova precisão se sustenta.